Josef Stálin
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Leon Trotsky: EX-RESISTENTES DEVEM FICAR FORA DA COMISSÃO DA VER...
Leon Trotsky: EX-RESISTENTES DEVEM FICAR FORA DA COMISSÃO DA VER...: Texto de: Celso Lungaretti* No meu artigo Comissão da Verdade: por que parou, parou por quê?, afirmei que "mais do que a mim mesmo, gostar...
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Leon Trotsky: Algo está acontecendo nas Américas.
Leon Trotsky: Algo está acontecendo nas Américas.: Eis que, uma ilha no Caribe, há quase cinqüenta anos, põe as “manguinhas de fora” Erradica o analfabetismo, dá total educação ao seu povo, ...
sábado, 19 de junho de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Telegrama ao Conselho dos Comissários do Povo
J. V. Stálin
15 de Setembro de १९१८
15 de Setembro de १९१८
A ofensiva das tropas soviéticas da região de Tzarítzin foi coroada de êxito: ao norte, tomou-se a estação de Ilóvlia; a oeste, foram tomadas Kalatch, Liapitehev e a ponte sobre o Don; ao sul, Lachki, Nemkovski e Dêmkin. O inimigo foi desbaratado e expulso para além do Don. Em Tzarítzin temos o controle da situação. A ofensiva continua.
O Comissário do PovoStálin.
Tzarítzin, 15 de setembro de 1918.
O Comissário do PovoStálin.
Tzarítzin, 15 de setembro de 1918.
Telegrama a Svérdlov
(Presidente do Comitê Executivo Central de Toda a Rússia)
J. V. Stálin
01 de Setembro de 1918
J. V. Stálin
01 de Setembro de 1918
O Conselho Militar do distrito do Cáucaso Setentrional, tendo recebido a notícia do infame atentado consumado por sicários da burguesia contra a vida do maior revolucionário do mundo, chefe provado e mestre do proletariado, camarada Lênin, responderá a esse vil e traiçoeiro atentado com o terror aberto, de massa e sistemático, contra a burguesia e seus agentes.
Stálin e Vorochílov.Tzarítzin, 31 de agosto de 1918.
Stálin e Vorochílov.Tzarítzin, 31 de agosto de 1918.
Carta a V. I. Lênin
J. V. Stálin
31 de Agosto de 1918
31 de Agosto de 1918
Caro camarada Lênin!
Combate-se no sul e no Cáspio. Para manter toda essa região (e é possível mantê-la!) torna-se necessário possuirmos alguns torpedeiros de tipo leve e dois submersíveis (para os detalhes entendei-vos com Artiom). Peço-vos remover todos os obstáculos para facilitar, fazer andar para a frente a coisa de modo que possa imediatamente receber o que vos solicito. Se os pedidos forem imediatamente satisfeitos, Baku,, o Turquestão e o Cáucaso Setentrional serão (absolutamente!) nossos.
Nossas coisas na frente vão bem. Não duvido de que andarão ainda melhor (os cossacos estão se desorganizando completamente).
Aperto a mão ao meu caro e amado IlitchVosso Stálin
Combate-se no sul e no Cáspio. Para manter toda essa região (e é possível mantê-la!) torna-se necessário possuirmos alguns torpedeiros de tipo leve e dois submersíveis (para os detalhes entendei-vos com Artiom). Peço-vos remover todos os obstáculos para facilitar, fazer andar para a frente a coisa de modo que possa imediatamente receber o que vos solicito. Se os pedidos forem imediatamente satisfeitos, Baku,, o Turquestão e o Cáucaso Setentrional serão (absolutamente!) nossos.
Nossas coisas na frente vão bem. Não duvido de que andarão ainda melhor (os cossacos estão se desorganizando completamente).
Aperto a mão ao meu caro e amado IlitchVosso Stálin
Carta a V. I. Lênin
J. V. Stálin
4 de Agosto de 1918
4 de Agosto de 1918
A situação no sul não é das mais fáceis. O conselho militar herdou tudo na mais completa desorganização, devida em parte à inércia do ex-chefe militar, em parte ao complô das pessoas que ele fez entrar nas várias seções do distrito militar. Foi necessário recomeçar tudo desde o início. Reorganizaram-se os abastecimentos, constituiu-se uma seção operativa, foram estabelecidas comunicações com todos os setores da frente, anularam-se as velhas, isto é, as "ordens criminosas, e só depois se iniciou uma ofensiva sobre Kalatch e em direção ao sul, procedente de Tikhorétskaia. A ofensiva foi conduzida na esperança de que os setores setentrionais de Mirónov e de Kikvidze, entre os quais o de Póvorino, estivessem seguros. Em vez disso, evidenciou-se que tais setores eram os mais débeis e precários. Sabeis que Mirónov e os outros se retiraram para o nordeste, que os cossacos conquistaram toda a linha férrea de Lipok a Aléxikov, que destacamentos isolados de guerrilheiros cossacos deslocaram-se rapidamente em direção ao Volga e tentaram interromper as comunicações sobre o Volga, entre Kamíchin e Tzarítzin.
Por outro lado, na frente de Rostov e noutros pontos, os grupos de Kálnin, devido à falta de projéteis e cartuchos, perderam sua estabilidade e cederam Tikhorétskaia, Torgóvaia, e, presumivelmente, estão sofrendo um processo de completa desagregação (digo "presumivelmente" porque até hoje não conseguimos obter notícias precisas sobre o grupo de Kálnin).
Já não falo da crítica situação em que ficaram Kizliar, Briánskoie e Baku. A orientação anglófila foi definitivamente derrotada, mas as coisas vão muito mal na frente. Kizliar, Prokhládnaia, Novo-Gueorguiévskoie e Stávropol estão em mãos dos cossacos insurretos. Só Briánskoie, Petrovsk, Minerálnie Vodí, Vladikavkaz, Piatigorsk e, ao que parece, Iekaterinodar, ainda se mantêm.
Criou-se desse modo uma situação em que as comunicações com o sul e com suas regiões produtoras de trigo se interromperam e a própria zona de Tzarítzin, que une o Centro com o Cáucaso Setentrional, está por sua vez cortada, ou quase, pelo centro.
Exatamente por isso decidimos cessar as operações ofensivas em direção a Tikhorétskaia e assumir posição defensiva, reunir algumas unidades dos setores da frente de Tzarítzin e com esses elementos constituir um destacamento de assalto de seis mil soldados e enviá-lo para o norte, ao longo da margem esquerda do Don, até ao rio Khopior. O objetivo dessa operação é limpar bem a linha Tzarítzin-Póvorino, apanhar o inimigo pela retaguarda, desorganizá-lo e empurrá-lo para trás. Temos uma série de razões positivas para contar com a execução desse plano em futuro muito próximo.
O estado de coisas desfavorável que acima descrevo, explica-se:
1.°) — Pelo fato de que o combatente na frente, o "camponês abastado", que em outubro bateu-se pelo Poder Soviético, revoltou-se contra esse Poder (ele odeia com toda a alma o monopólio do trigo, os preços fixos, as requisições, a luta contra as pequenas especulações).
2.°) — Pelo fato de que os exércitos de Mirónov são compostos de cossacos (os destacamentos cossacos, que se dizem soviéticos, não podem, não querem combater decididamente a contra-revolução cossaca; os cossacos, através de regimentos inteiros, passaram-se para o lado de Mirónov para receberem armas, conhecerem diretamente as posições de nossos destacamentos e levarem depois consigo regimentos inteiros para o lado de Krasnov; Mirónov foi três vezes cercado por unidades cossacas que conheciam todos os segredos do seu setor e, naturalmente, foi derrotado).
3.°) — Pela organização em pequenos destacamentos das unidades de Kikvidze, que tornava impossível a ligação e coordenação das operações.
4.°) — Pelo isolamento, devido a tudo isso, das unidades de Sivers, que tinha perdido o apoio em seu flanco esquerdo.
É preciso reconhecer que na frente de Tzarítzin-Gachiun constitui um fato positivo ter-se sabido eliminar a confusão que reinava nos destacamentos e afastar no momento necessário os chamados especialistas (em parte sustentáculos fervorosos dos cossacos, em parte dos anglo-franceses), o que nos permitiu atrair para nós as simpatias das unidades militares e estabelecer nessas unidades uma disciplina férrea.
A situação dos abastecimentos alimentares depois da interrupção das comunicações com o Cáucaso Setentrional tornou.-se desesperada. Mais de setecentos vagões estão prontos no Cáucaso Setentrional, mais de meio milhão de puds foi entregue, mas não há nenhuma possibilidade de transportar toda essa carga devido à interrupção das comunicações, tanto ferroviárias quanto marítimas (Kizliar e Briánskoie não estão em nossas mãos). Nas regiões de Tzarítzin, Kotélnikov e Gachiun o trigo não escasseia mas ainda se encontra nos campos, enquanto o Comitê Extraordinário Regional de Aprovisionamento até agora não foi e continua não sendo capaz de providenciar a colheita. É preciso ceifar, prensar e transportar para um único local o feno, mas o Comitê Extraordinário Regional de Aprovisionamento não dispõe de prensas. É necessário organizar em vasta escala a ceifa do trigo, mas os organizadores do Comitê mostraram-se ineptos. O resultado é que as entregas vão muito mal.
Com a tomada de Kalatch tivemos algumas dezenas de milhares de puds de trigo. Enviei a Kalatch doze caminhões e, logo que seja possível fazê-los chegar à linha férrea, enviarei o trigo a Moscou. A colheita, bem ou, mal, vai marchando igualmente. Espero nos próximos dias ter algumas dezenas de milhares de puds de trigo que mandarei, também. Aqui existe gado à vontade, mas o feno é muito escasso e uma vez que sem feno não se pode efetuar o transporte, um envio de gado em vasta escala permanece impossível. Seria bom instalar uma fábrica de carne enlatada, construir um matadouro, etc. Infelizmente, porém, ainda não consegui encontrar pessoas capacitadas e dotadas de espírito de iniciativa. Encarreguei o delegado de Kotélnikov de organizar a salga da carne em grandes proporções; a coisa iniciou-se e deu algum resultado. Se continuar a desenvolver-se, no inverno teremos bastante carne (só na região de Kotélnikov foram reunidas 40.000 reses). Em Astracã a quantidade de animais não é menor que em Kotélnikov, mas o Comissariado local para o aprovisionamento não faz nada. Os representantes do Centro de Coleta de Produtos Agrícolas dormem profundamente, podendo-se adiantar que não providenciarão sobre as entregas da carne. Enviei para lá o delegado Zalmaiev a fim de serem feitas as entregas da carne e do peixe, mas até agora não recebi notícias suas.
Quanto aos aprovisionamentos, pode-se depositar muito mais esperanças nas províncias de Sarátov e Samara, onde o trigo é abundante e o grupo dos Iakubov, creio eu, saberá obter meio milhão de puds de trigo e até mais.
De modo geral, é preciso dizer que enquanto as comunicações com o Cáucaso Setentrional não forem restabelecidas, não se poderá contar (de modo particular) com o setor de Tzarítzin (no que se refere aos aprovisionamentos).
VossoJ. Stálin.Tzarítzin, 4 de agosto de 1918
Por outro lado, na frente de Rostov e noutros pontos, os grupos de Kálnin, devido à falta de projéteis e cartuchos, perderam sua estabilidade e cederam Tikhorétskaia, Torgóvaia, e, presumivelmente, estão sofrendo um processo de completa desagregação (digo "presumivelmente" porque até hoje não conseguimos obter notícias precisas sobre o grupo de Kálnin).
Já não falo da crítica situação em que ficaram Kizliar, Briánskoie e Baku. A orientação anglófila foi definitivamente derrotada, mas as coisas vão muito mal na frente. Kizliar, Prokhládnaia, Novo-Gueorguiévskoie e Stávropol estão em mãos dos cossacos insurretos. Só Briánskoie, Petrovsk, Minerálnie Vodí, Vladikavkaz, Piatigorsk e, ao que parece, Iekaterinodar, ainda se mantêm.
Criou-se desse modo uma situação em que as comunicações com o sul e com suas regiões produtoras de trigo se interromperam e a própria zona de Tzarítzin, que une o Centro com o Cáucaso Setentrional, está por sua vez cortada, ou quase, pelo centro.
Exatamente por isso decidimos cessar as operações ofensivas em direção a Tikhorétskaia e assumir posição defensiva, reunir algumas unidades dos setores da frente de Tzarítzin e com esses elementos constituir um destacamento de assalto de seis mil soldados e enviá-lo para o norte, ao longo da margem esquerda do Don, até ao rio Khopior. O objetivo dessa operação é limpar bem a linha Tzarítzin-Póvorino, apanhar o inimigo pela retaguarda, desorganizá-lo e empurrá-lo para trás. Temos uma série de razões positivas para contar com a execução desse plano em futuro muito próximo.
O estado de coisas desfavorável que acima descrevo, explica-se:
1.°) — Pelo fato de que o combatente na frente, o "camponês abastado", que em outubro bateu-se pelo Poder Soviético, revoltou-se contra esse Poder (ele odeia com toda a alma o monopólio do trigo, os preços fixos, as requisições, a luta contra as pequenas especulações).
2.°) — Pelo fato de que os exércitos de Mirónov são compostos de cossacos (os destacamentos cossacos, que se dizem soviéticos, não podem, não querem combater decididamente a contra-revolução cossaca; os cossacos, através de regimentos inteiros, passaram-se para o lado de Mirónov para receberem armas, conhecerem diretamente as posições de nossos destacamentos e levarem depois consigo regimentos inteiros para o lado de Krasnov; Mirónov foi três vezes cercado por unidades cossacas que conheciam todos os segredos do seu setor e, naturalmente, foi derrotado).
3.°) — Pela organização em pequenos destacamentos das unidades de Kikvidze, que tornava impossível a ligação e coordenação das operações.
4.°) — Pelo isolamento, devido a tudo isso, das unidades de Sivers, que tinha perdido o apoio em seu flanco esquerdo.
É preciso reconhecer que na frente de Tzarítzin-Gachiun constitui um fato positivo ter-se sabido eliminar a confusão que reinava nos destacamentos e afastar no momento necessário os chamados especialistas (em parte sustentáculos fervorosos dos cossacos, em parte dos anglo-franceses), o que nos permitiu atrair para nós as simpatias das unidades militares e estabelecer nessas unidades uma disciplina férrea.
A situação dos abastecimentos alimentares depois da interrupção das comunicações com o Cáucaso Setentrional tornou.-se desesperada. Mais de setecentos vagões estão prontos no Cáucaso Setentrional, mais de meio milhão de puds foi entregue, mas não há nenhuma possibilidade de transportar toda essa carga devido à interrupção das comunicações, tanto ferroviárias quanto marítimas (Kizliar e Briánskoie não estão em nossas mãos). Nas regiões de Tzarítzin, Kotélnikov e Gachiun o trigo não escasseia mas ainda se encontra nos campos, enquanto o Comitê Extraordinário Regional de Aprovisionamento até agora não foi e continua não sendo capaz de providenciar a colheita. É preciso ceifar, prensar e transportar para um único local o feno, mas o Comitê Extraordinário Regional de Aprovisionamento não dispõe de prensas. É necessário organizar em vasta escala a ceifa do trigo, mas os organizadores do Comitê mostraram-se ineptos. O resultado é que as entregas vão muito mal.
Com a tomada de Kalatch tivemos algumas dezenas de milhares de puds de trigo. Enviei a Kalatch doze caminhões e, logo que seja possível fazê-los chegar à linha férrea, enviarei o trigo a Moscou. A colheita, bem ou, mal, vai marchando igualmente. Espero nos próximos dias ter algumas dezenas de milhares de puds de trigo que mandarei, também. Aqui existe gado à vontade, mas o feno é muito escasso e uma vez que sem feno não se pode efetuar o transporte, um envio de gado em vasta escala permanece impossível. Seria bom instalar uma fábrica de carne enlatada, construir um matadouro, etc. Infelizmente, porém, ainda não consegui encontrar pessoas capacitadas e dotadas de espírito de iniciativa. Encarreguei o delegado de Kotélnikov de organizar a salga da carne em grandes proporções; a coisa iniciou-se e deu algum resultado. Se continuar a desenvolver-se, no inverno teremos bastante carne (só na região de Kotélnikov foram reunidas 40.000 reses). Em Astracã a quantidade de animais não é menor que em Kotélnikov, mas o Comissariado local para o aprovisionamento não faz nada. Os representantes do Centro de Coleta de Produtos Agrícolas dormem profundamente, podendo-se adiantar que não providenciarão sobre as entregas da carne. Enviei para lá o delegado Zalmaiev a fim de serem feitas as entregas da carne e do peixe, mas até agora não recebi notícias suas.
Quanto aos aprovisionamentos, pode-se depositar muito mais esperanças nas províncias de Sarátov e Samara, onde o trigo é abundante e o grupo dos Iakubov, creio eu, saberá obter meio milhão de puds de trigo e até mais.
De modo geral, é preciso dizer que enquanto as comunicações com o Cáucaso Setentrional não forem restabelecidas, não se poderá contar (de modo particular) com o setor de Tzarítzin (no que se refere aos aprovisionamentos).
VossoJ. Stálin.Tzarítzin, 4 de agosto de 1918
Carta a V. I. Lênin
J. V. Stálin
10 de Julho de 1918
Ao camarada Lênin.
Poucas palavras.
1.°) — Se Trotski continuar a distribuir delegações a torto e a direito, sem pensar, a Trifónov (região do Don), a Avtónomov (região do Kuban), a Koppe (Stávropol), aos membros da missão francesa (que merecem ser presos), etc., pode-se dizer com certeza que dentro de um mês no Cáucaso Setentrional tudo desmoronará e perderemos definitivamente essa região. Com Trotski acontece o que sucedeu há tempos a Antónov. Inculcai bem na cabeça dele que não se pode dar tarefas a pessoas não provadas em seus postos, porque do contrário poderá vir à baila um escândalo para o Poder Soviético.
2.°) — Se não forem fornecidos aeroplanos com aviadores, autos blindados e peças de seis polegadas, a frente de Tzarítzin não se manterá e perderemos por muito tempo a estrada de ferro.
3.°) — No sul há muito trigo, mas para se poder consegui-lo é necessário ter um aparelho bem organizado, que não encontre obstáculos da parte dos trens militares, dos comandantes de exército, etc. É, além disso, necessário que os militares ajudem os que estão encarregados de recolher víveres. A questão dos aprovisionamentos alimentares está naturalmente ligada à militar. Para levar a bom termo o assunto, necessito de plenos poderes militares. Já escrevi a esse respeito, mas não tive resposta Muito bem. Nesse caso destituirei por mim mesmo, sem formalidades, os comissários e comandantes de exército que comprometam o nosso trabalho. É o interesse da causa, que me sugere a assim proceder, e, naturalmente' não será a falta de papéis assinados por Trotski que me impedirá de fazê-lo.
Stálin.Tzarítzin, 10 de julho de 1918.
10 de Julho de 1918
Ao camarada Lênin.
Poucas palavras.
1.°) — Se Trotski continuar a distribuir delegações a torto e a direito, sem pensar, a Trifónov (região do Don), a Avtónomov (região do Kuban), a Koppe (Stávropol), aos membros da missão francesa (que merecem ser presos), etc., pode-se dizer com certeza que dentro de um mês no Cáucaso Setentrional tudo desmoronará e perderemos definitivamente essa região. Com Trotski acontece o que sucedeu há tempos a Antónov. Inculcai bem na cabeça dele que não se pode dar tarefas a pessoas não provadas em seus postos, porque do contrário poderá vir à baila um escândalo para o Poder Soviético.
2.°) — Se não forem fornecidos aeroplanos com aviadores, autos blindados e peças de seis polegadas, a frente de Tzarítzin não se manterá e perderemos por muito tempo a estrada de ferro.
3.°) — No sul há muito trigo, mas para se poder consegui-lo é necessário ter um aparelho bem organizado, que não encontre obstáculos da parte dos trens militares, dos comandantes de exército, etc. É, além disso, necessário que os militares ajudem os que estão encarregados de recolher víveres. A questão dos aprovisionamentos alimentares está naturalmente ligada à militar. Para levar a bom termo o assunto, necessito de plenos poderes militares. Já escrevi a esse respeito, mas não tive resposta Muito bem. Nesse caso destituirei por mim mesmo, sem formalidades, os comissários e comandantes de exército que comprometam o nosso trabalho. É o interesse da causa, que me sugere a assim proceder, e, naturalmente' não será a falta de papéis assinados por Trotski que me impedirá de fazê-lo.
Stálin.Tzarítzin, 10 de julho de 1918.
Carta a V. I. Lênin
J. V. Stálin
7 de Julho de 1918
7 de Julho de 1918
Ao camarada Lenin.
Apresso-me a seguir para a frente. Escrevo apenas sobre o que se relaciona com o trabalho.
1.°) — A linha ao sul de Tzarítzin ainda não foi restabelecida. Descobriremos e puniremos os responsáveis. Espero que em breve a linha estará restabelecida. Podeis estar certo de que não pouparemos ninguém, nem a nós mesmos nem aos outros, e de que mandaremos o trigo a todo custo. Se os nossos "especialistas" militares (charlatães!) não dormissem e não fossem ineptos, a linha da frente não teria sido rompida, e se a linha for restabelecida, não o será graças aos militares, mas apesar deles.
2.°) — Ao sul de Tzarítzin foi carregado muito trigo. Assim que a estrada fique livre, enviá-lo-emos em trens de carga diretos.
3.°) — Recebemos vossa comunicação. Tudo será feito para prevenir as possíveis surpresas. Ficai certo de que nossa mão não tremerá. . .
4.°) — Enviei um correio a Baku com uma carta.
5.°) — No Turquestão as coisas vão mal; a Inglaterra age através do Afeganistão. Dai a alguém (ou a mim) um mandato especial (de caráter militar) para a zona da Rússia Meridional, a fim de que se possam tomar medidas urgentes, enquanto ainda é tempo.
Devido às más ligações das regiões periféricas com o centro, é necessário que existam nessas regiões pessoas investidas de amplos poderes, a fim de que possam ser tomadas oportunamente as medidas necessárias. Se nomeardes alguém para esse objetivo (seja quem for), informai-o por fio direto e transmiti também a delegação por fio direto, pois do contrário vos arriscareis a ter uma segunda Múrmansk.
Envio um telegrama sobre o Turquestão.
Por enquanto é tudo.
Vosso Stálin.Tzarítzin, 7 de julho de 1918.
Apresso-me a seguir para a frente. Escrevo apenas sobre o que se relaciona com o trabalho.
1.°) — A linha ao sul de Tzarítzin ainda não foi restabelecida. Descobriremos e puniremos os responsáveis. Espero que em breve a linha estará restabelecida. Podeis estar certo de que não pouparemos ninguém, nem a nós mesmos nem aos outros, e de que mandaremos o trigo a todo custo. Se os nossos "especialistas" militares (charlatães!) não dormissem e não fossem ineptos, a linha da frente não teria sido rompida, e se a linha for restabelecida, não o será graças aos militares, mas apesar deles.
2.°) — Ao sul de Tzarítzin foi carregado muito trigo. Assim que a estrada fique livre, enviá-lo-emos em trens de carga diretos.
3.°) — Recebemos vossa comunicação. Tudo será feito para prevenir as possíveis surpresas. Ficai certo de que nossa mão não tremerá. . .
4.°) — Enviei um correio a Baku com uma carta.
5.°) — No Turquestão as coisas vão mal; a Inglaterra age através do Afeganistão. Dai a alguém (ou a mim) um mandato especial (de caráter militar) para a zona da Rússia Meridional, a fim de que se possam tomar medidas urgentes, enquanto ainda é tempo.
Devido às más ligações das regiões periféricas com o centro, é necessário que existam nessas regiões pessoas investidas de amplos poderes, a fim de que possam ser tomadas oportunamente as medidas necessárias. Se nomeardes alguém para esse objetivo (seja quem for), informai-o por fio direto e transmiti também a delegação por fio direto, pois do contrário vos arriscareis a ter uma segunda Múrmansk.
Envio um telegrama sobre o Turquestão.
Por enquanto é tudo.
Vosso Stálin.Tzarítzin, 7 de julho de 1918.
Telegrama a V. I. Lênin
J. V. Stálin
7 de Junho de 1918
A 6 cheguei a Tzarítzin. Malgrado a confusão existente em todos os setores da vida econômica, é certamente possível restabelecer a ordem.
Em Tzarítzin, Astracã, Sarátov, o monopólio do pão e os preços fixos foram abolidos pelos soviets; o desenfreamento e a especulação lavram furiosos. Consegui introduzir o sistema dos cartões de racionamento e dos preços fixos em Tzarítzin. Deve-se conseguir fazer a mesma coisa em Astracã e Sarátov; do contrário, através das válvulas da especulação, todo o trigo desaparecerá. O Comitê Executivo Central e o Conselho dos Comissários do Povo devem, por sua vez, exigir que esses soviets persigam severamente a especulação.
Os transportes ferroviários estão completamente desorganizados, devido à pressa de uma infinidade de órgãos colegiados e de comitês revolucionários. Fui obrigado a nomear comissários especiais, que já estão pondo os assuntos em ordem, não obstante os protestos dos órgãos colegiados. Os comissários encontram nas várias localidades uma grande quantidade de vagões de cuja existência os órgãos colegiados nem sequer suspeitavam. O exame da situação demonstrou que se pode todos os dias despachar pela linha Tzarítzin-Povorino-Balachov-Kozlov-Riazan-Moscou oito ou mais trens de carga diretos. Agora estou ocupado em fazer confluir os trens para Tzarítzin. Dentro de uma semana lançaremos a "semana do trigo" e expediremos a Moscou de uma só vez cerca de um milhão de puds sob escolta de destacamentos especiais de ferroviários; sobre isso mandarei previamente comunicação.
Nos transportes fluviais há uma interrupção, determinada pelo fato de que Níjni-Nóvgorod não deixa que as embarcações partam, talvez por causa dos tchecoslovacos. Ordenai medidas para fazer com que partam imediatamente as embarcações a vapor que se dirijam a Tzarítzin.
No Kuban e em Stávropol, segundo nos foi comunicado, encontram-se os nossos compradores, gente de toda a confiança, ocupados no sul em conseguir trigo. A linha de Kizliar ao mar já funciona e a de Khasav-Iurt-Petrovsk ainda não foi restabelecida. Mandai Scliápnikov, engenheiros construtores, instrutores especializados e também turmas de maquinistas.
Enviei um correio a Baku; dentro de alguns dias partirei para o sul. Zaítsev, delegado plenipotenciário para as trocas de mercadorias, será hoje preso por açambarcamento de mercadorias pertencentes ao Estado. Dizei por favor a Schmidt que não mande mais outros patifes. Kobozev que disponha no sentido de a comissão dos cinco em Voróne, no seu próprio interesse, não opor obstáculos aos meus delegados.
Segundo notícias que me chegaram, Bataísk foi ocupada pelos alemães.
O Comissário do PovoJ. Stálin.Tzarítzin, 7 de junho de 1918.
Notas de fim de tomo:
Em 29 de maio de 1918 o Conselho dos Comissários do Povo nomeou Stálin chefe dos órgãos de abastecimento para a Rússia Meridional, por meio do seguinte decreto: "O Comissário do Povo José Vissariónovitch Stálin é nomeado pelo Conselho dos Comissários do Povo chefe geral dos órgãos de abastecimento da Rússia Meridional, e é investido de poderes extraordinários. Os conselhos dos comissários do povo locais e regionais, os soviets dos deputados, as organizações ferroviárias e os chefes de estação, as organizações da marinha mercante, quer fluvial quer marítima, os departamentos de correios e telégrafos, os organismos de abastecimento, todos os comissários e os emissários ficam na obrigação de executar as ordens do camarada Stálin. Assinado: O Presidente do Conselho dos Comissários do Povo, V. Uliánov Lênin."
O colégio dos cinco era o órgão técnico-administrativo das estradas de ferro Moscou-Kíev-Vorónej, etc., sediado em Vorónej.
7 de Junho de 1918
A 6 cheguei a Tzarítzin. Malgrado a confusão existente em todos os setores da vida econômica, é certamente possível restabelecer a ordem.
Em Tzarítzin, Astracã, Sarátov, o monopólio do pão e os preços fixos foram abolidos pelos soviets; o desenfreamento e a especulação lavram furiosos. Consegui introduzir o sistema dos cartões de racionamento e dos preços fixos em Tzarítzin. Deve-se conseguir fazer a mesma coisa em Astracã e Sarátov; do contrário, através das válvulas da especulação, todo o trigo desaparecerá. O Comitê Executivo Central e o Conselho dos Comissários do Povo devem, por sua vez, exigir que esses soviets persigam severamente a especulação.
Os transportes ferroviários estão completamente desorganizados, devido à pressa de uma infinidade de órgãos colegiados e de comitês revolucionários. Fui obrigado a nomear comissários especiais, que já estão pondo os assuntos em ordem, não obstante os protestos dos órgãos colegiados. Os comissários encontram nas várias localidades uma grande quantidade de vagões de cuja existência os órgãos colegiados nem sequer suspeitavam. O exame da situação demonstrou que se pode todos os dias despachar pela linha Tzarítzin-Povorino-Balachov-Kozlov-Riazan-Moscou oito ou mais trens de carga diretos. Agora estou ocupado em fazer confluir os trens para Tzarítzin. Dentro de uma semana lançaremos a "semana do trigo" e expediremos a Moscou de uma só vez cerca de um milhão de puds sob escolta de destacamentos especiais de ferroviários; sobre isso mandarei previamente comunicação.
Nos transportes fluviais há uma interrupção, determinada pelo fato de que Níjni-Nóvgorod não deixa que as embarcações partam, talvez por causa dos tchecoslovacos. Ordenai medidas para fazer com que partam imediatamente as embarcações a vapor que se dirijam a Tzarítzin.
No Kuban e em Stávropol, segundo nos foi comunicado, encontram-se os nossos compradores, gente de toda a confiança, ocupados no sul em conseguir trigo. A linha de Kizliar ao mar já funciona e a de Khasav-Iurt-Petrovsk ainda não foi restabelecida. Mandai Scliápnikov, engenheiros construtores, instrutores especializados e também turmas de maquinistas.
Enviei um correio a Baku; dentro de alguns dias partirei para o sul. Zaítsev, delegado plenipotenciário para as trocas de mercadorias, será hoje preso por açambarcamento de mercadorias pertencentes ao Estado. Dizei por favor a Schmidt que não mande mais outros patifes. Kobozev que disponha no sentido de a comissão dos cinco em Voróne, no seu próprio interesse, não opor obstáculos aos meus delegados.
Segundo notícias que me chegaram, Bataísk foi ocupada pelos alemães.
O Comissário do PovoJ. Stálin.Tzarítzin, 7 de junho de 1918.
Notas de fim de tomo:
Em 29 de maio de 1918 o Conselho dos Comissários do Povo nomeou Stálin chefe dos órgãos de abastecimento para a Rússia Meridional, por meio do seguinte decreto: "O Comissário do Povo José Vissariónovitch Stálin é nomeado pelo Conselho dos Comissários do Povo chefe geral dos órgãos de abastecimento da Rússia Meridional, e é investido de poderes extraordinários. Os conselhos dos comissários do povo locais e regionais, os soviets dos deputados, as organizações ferroviárias e os chefes de estação, as organizações da marinha mercante, quer fluvial quer marítima, os departamentos de correios e telégrafos, os organismos de abastecimento, todos os comissários e os emissários ficam na obrigação de executar as ordens do camarada Stálin. Assinado: O Presidente do Conselho dos Comissários do Povo, V. Uliánov Lênin."
O colégio dos cinco era o órgão técnico-administrativo das estradas de ferro Moscou-Kíev-Vorónej, etc., sediado em Vorónej.
A Região do Dom e o Cáucaso Setentrional
J. V. Stálin
1 de Junho de 1918
1 de Junho de 1918
(Fatos e maquinações)
A delegação ucraniana à primeira reunião da conferência da paz, em Kíev, declarou estar de posse de declarações dos "governos" do Don, do Cáucaso Setentrional e de outras regiões que proclamaram terem-se separado da Rússia e haverem estabelecido relações de amizade com o governo ucraniano-alemão.
"Não somos contrários a tratar com os representantes do Poder Soviético — "disse o presidente da delegação ucraniana, Chelúkhin — mas desejaríamos saber sobre que regiões propriamente se estende o poder da Federação da Rússia, porque estou de posse de declarações de muitos governos (do Don, do Cáucaso Setentrional, etc.) que não desejam permanecer nos limites da Rússia."
Os turcos e os alemães não só não têm nada a objetar contra essa afirmativa dos ucranianos, mas, antes, numa série de documentos oficiais confirmam as pretensões dos "governos" semi-legais mencionados acima, apegando-se a elas como a um meio formal que permita a "autodeterminação" (isto é, a ocupação) de novos territórios. . .
Mas, o que são esses misteriosos "governos" e de onde vieram?
Antes de tudo é estranho que como protetor desses "governos" e como organizador oficial de toda essa campanha se apresente o governo ucraniano dos hétmãs, que só veio à luz por graça. . . não do povo, em todo o caso. Com que direito, propriamente, a delegação ucraniana ousa falar dessa maneira ao Poder Soviético que foi livremente eleito por dezenas de milhões de habitantes da Federação Russa e reuniu em torno de si, entre outros, os importantes soviets regionais do Don, do Kuban, do Mar Negro, do Térek, eleitos por milhões de habitantes dessas regiões?
Que peso pode ter então o atual governo ucraniano, que não só não foi eleito pelo povo, mas não tem atrás de si nem mesmo uma Dieta eleita em base censitária, ao menos do tipo de um Landtag representante das camadas ricas? Além do mais, pode-se considerar como provado que, se a conferência da paz se tivesse reunido não em Kíev, mas em qualquer outro lugar do território neutro, a Rada Ucraniana, há pouco derrubada, não teria deixado de se fazer presente para declarar que um tratado com o governo dos hétmãs não pode obrigar o povo ucraniano, que não reconhece esse governo? Teriam então surgido dois problemas:
1.°) — que mandato se poderia reconhecer como o mais efetivo, o do governo dos hétmãs ou o da Rada Ucraniana?;
2.°) — que poderia então declarar para justificar-se a atual delegação ucraniana, que aprecia grandemente qualquer "declaração"?
Em segundo lugar, não é menos estranho o fato de a Alemanha, que apoiou a declaração da delegação ucraniana e que, no interesse da "autodeterminação", namora cada vez mais os "governos" dos aventureiros do Don e do Cáucaso Setentrional, não dedicar uma palavra sequer à autodeterminação da Posnânia polonesa, do Schleswig-Holstein dinamarquês e da Alsácia-Lorena francesa. Será ainda necessário, talvez, demonstrar que, em confronto com os protestos em massa dos dinamarqueses, dos poloneses e dos franceses daquelas províncias, as declarações dos "governos" de aventureiros da Rússia Meridional, constituídos a toda pressa e não reconhecidos por ninguém, perdem todo peso, toda importância, todo decoro?
Mas toda essas coisas não vêm a ser senão "minúcias". Passemos ao argumento principal.
Como surgiram, então, os fabulosos "governos" da Rússia Meridional?
"A 21 de outubro de 1917 — diz o "governo" do Dou em sua "nota" — na cidade de Vladikavkaz firmou-se um acordo sobre a formação de um novo Estado federativo, a União-Sul-Oriental, na qual entraram as populações dos territórios das tropas cossacas do Don, do Kuban e de Astracã e povos da montanha do Cáucaso Setentrional e das margens do Mar Negro e os povos livres da Rússia Sul-Oriental."
Quase as mesmas coisas diz o radiograma dos representantes do "governo" do Cáucaso Setentrional, Tchermoiev e Bammátov, chegado às nossas mãos em 16 de maio:
"Os povos do Cáucaso elegeram regularmente uma Assembléia Nacional que, reunida em maio e setembro de 1917, declarou constituída a União dos Povos da Montanha do Cáucaso"; além disso, "a União' dos Povos da Montanha do Cáucaso decide separar-se da Rússia e formar um Estado independente. O território desse Estado terá como fronteiras: ao norte, os limites geográficos que tinham as regiões e províncias do Daguestão, do Térek, de Stávropol, do Kuban e do Mar Negro no ex-império russo, a oeste o Mar Negro e a leste o Mar Cáspio."
Então, nas vésperas da vitória da Revolução de Outubro, que derrubou o governo de Kerenski, grupelhos de aventureiros ligados a esse governo reuniram-se, pelo que se vê, em Vladikavkaz, proclamaram-se governos "com plenos poderes" e declararam que o sul da Rússia se separava desta última sem se dar ao trabalho de pedir o consentimento da população. Naturalmente, num país livre como a Rússia, a ninguém é proibido entregar-se a sonhos separatistas, mas é fácil compreender que o Poder Soviético não podia nem devia recuar ante as declarações aventureiras dos sonhadores com os quais os povos do sul da Rússia não têm absolutamente nada de comum. Não duvidamos de que se a Alemanha desse aos cidadãos uma liberdade semelhante a essa de que agora se goza na Rússia, a Posnânia, a Alsácia-Lorena, a Polônia, a Curlândia, a Estônia, etc., seriam cobertas por uma rede de governos nacionais, os quais teriam muito mais motivos de se chamarem governo do que os Bogaievski, os Krasnov, os Bammátov e os Tchermoiev, que foram repelidos por seus povos e agora vivem na emigração. . .
Assim surgiram os fabulosos "governos" do sul da Rússia.
A "nota" do "governo" do Don e o radiograma de Tchermoiev falam do passado, de setembro e de outubro de 1917 e de Vladikavkaz, refúgio dos generais reformados. Daquela época até hoje, entretanto, transcorreu cerca de um ano. Durante esse período, formaram-se os soviets populares regionais do Don, do Kuban-Mar Negro e do Térek, que agrupam em torno de si milhões de habitantes, cossacos e alienígenas, abkházios e russos, tchetchenos e inguchos, ossétios e kabardinos, georgianos e armênios. As populações dessas regiões de há muito já reconheceram o Poder Soviético e gozam amplamente do direito de autodeterminação que lhes foi concedido. E Vladikavkaz, antiga residência dos Karaúlov e dos Bogaievski, dos Tchermoiev e dos Bammátov, de há muito se proclamou sede do Soviet Popular do Térek. Que importância, pergunta-se, podem ter os generais fossilizados e suas declarações próprias de aventureiros, feitas no verão de 1917, em face desses fatos conhecidos de todos! Em setembro e outubro ainda havia na Rússia o governo de Kerenski, que lançava raios e coriscos contra o Partido Bolchevique, o qual então tinha sido posto fora da lei e hoje se encontra no Poder. Se a delegação ucraniana e o governo alemão dão aos meses de setembro e outubro de 1917 um tal valor sacramental, por que então não convidam à conferência de paz os restos do governo de Kerenski, que naquela época ainda gozava de boa saúde, assim como fazem com os restos do "governo" dos Tchermoiev e dos Karaúlov que em setembro e outubro de 1917 também gozavam de boa saúde?
Ou ainda: por que justamente setembro de 1917 é preferível a abril de 1918, mês em que a Rada Ucraniana, que tinha quase pronta uma delegação para as negociações com o Poder Soviético, num momento foi varrida da cena política "na base" da "interpretação" alemã do princípio de autodeterminação dos povos ?. . .
Ou finalmente: por que a declaração do general cossaco Krasnov, repudiado por seus homens, prisioneiro das tropas soviéticas perto de Gátchina em fins de 1917 e depois libertado pelo Poder Soviético sob palavra de honra, é considerada um "ato político de grande importância" e a declaração, por exemplo, do Conselho dos Comissários do Povo da Criméia, que reuniu em torno de si centenas de milhares de russos e de tártaros e que por três vezes reafirmou pelo rádio a indissolubilidade dos vínculos que unem a Criméia à Federação da Rússia é considerada sem importância política?
Por que o general Krasnov, repudiado pelos cossacos, desfruta da particular proteção dos governantes ucraniano-alemães, enquanto o Conselho dos Comissários do Povo da Criméia, livremente eleito pela população, foi massacrado, num ato de banditismo?
Evidentemente aqui não se trata da autenticidade das "declarações" nem das massas que sustentam essas "declarações", e ainda menos do conceito de "autodeterminação", barbaramente corrompido e deformado pelos saqueadores oficiais, mas simplesmente disto: tais "declarações" são muito convenientes para os ucraniano-alemães que se comprazem tecendo tramas imperialistas, porque essas "declarações" mascaram comodamente suas aspirações à conquista e subjugação de novos territórios. É característico que em meio a toda a série de delegações do pretenso governo do Don, tão "legal" quanto a delegação do general Krasnov, os ucraniano-alemães tenham voltado sua atenção para esta última, visto como as restantes delegações conservam "orientação" não alemã. O caráter fictício e artificioso do "governo" Krasnov-Bogaievski é além disso a tal ponto evidente, que uma série de ministros designados por Krasnov (Paramonev, ministro da instrução popular, e Semiónov, ministro da agricultura), oficialmente recusaram o encargo, fundamentando sua recusa no fato de que "suas nomeações para ministros foram feitas pelo general Krasnov na ausência dos mesmos." Mas os promotores ucraniano-alemães da autodeterminação realmente não se perturbam com isso, pois Krasnov é útil a esses senhores como anteparo.
Não menos característico é o fato de que a chamada União Sul-Oriental, que em janeiro ainda estava no reino dos mortos, tenha sido em maio subitamente ressuscitada em determinado ponto da Ucrânia ou mesmo em Constantinopla; além disso, nem todos os povos do Cáucaso Setentrional sabem que os "governos" por eles sepultados continuam a "existir" ilegalmente, não se sabe se em Constantinopla ou em Kíev, onde se aprestam para ditar-lhes leis. Evidentemente, nem sequer essa pouco hábil maquinação perturba os promotores ucraniano-alemães da autodeterminação, porque lhes dá a possibilidade de tirarem vantagens dela.
Tais são as ações dos aventureiros da Rússia Meridional sedentos do poder, de uma parte, e dos idealizadores das maquinações políticas, de outra parte.
Qual é então a atitude desses povos da Rússia Meridional sob cujo nome se mascaram os senhores promotores da autodeterminação, quanto ao problema da independência ?
Comecemos pelo Don. Desde fevereiro existe a República Soviética Autônoma do Don, que reúne em torno de si a enorme maioria da população da região. Não é segredo para ninguém que no congresso regional realizado em abril, ao qual compareceram mais de 700 delegados, foi confirmada por aclamação a indissolubilidade dos laços com a Rússia, da qual a República do Don constitui uma parte autônoma.
Eis o que diz, em sua resolução de 28 de maio, o Comitê Executivo da República do Don acerca das pretensões do "governo" Krasnov-Bogaievski, agora mesmo tirado do forno:
"O Comitê Executivo Central da República Soviética do Don leva ao conhecimento do Conselho dos Comissários do Povo e da Conferência de Paz em Kíev que no Don não existe outro poder senão o Comitê Executivo Central e o seu Presidium. Os membros de qualquer outro governo que se tenha declarado ou se declare tal são réus de alta traição e se verão entregues aos tribunais populares com tal imputação. Efetivamente, foi-nos comunicado que na Conferência de Paz interveio uma delegação do governo do Don. Nós, como representantes do Poder estatal, declaramos ao Conselho dos Comissários do Povo e à Conferência de Paz de Kíev que, sem as credenciais do Poder Soviético da República do Don, nenhum delegado deve ser admitido levar a efeito negociações de paz e se existem delegados desse gênero, afirmamos que não são legais, que se arrogam uma qualidade que não possuem e que os entregaremos aos tribunais como réus de alta traição. O Comitê Executivo Central pede à Conferência de Paz afastar a delegação do pretenso "governo do Don", porque ela é ilegal e não pode ser admitida a levar a efeito negociações de paz.O presidente do Comitê Executivo CentralV. KovaliovO Secretário: V. Pujilev(Aprovada a 28 de maio) Tzarítzin."
Passemos ao Kuban. Todos conhecem a República Soviética Autônoma do Kuban e do Mar Negro, que reuniu em torno de si 90 % da população de todas as partes e de todos os distritos da região, sem exceção.
Todos se lembram do Congresso da Região do Kuban e do Mar Negro, no qual tomaram parte muitos tchetchenos e inguchos e que se instalou em abril deste ano sob a presidência do cossaco I. Poluián, Congresso que reafirmou solenemente a indissolubilidade dos laços que unem aquela região à Rússia e que também solenemente declarou fora da lei os vários aventureiros como Filimonov e Krasnov. De resto, as dezenas de milhares de habitantes do Kuban que empunham armas e defendem com os seus peitos a Rússia Soviética de Sukhum a Bataísk, exprimem, de maneira bastante eloqüente, os sentimentos e as simpatias do Kuban e do Mar Negro. Não falemos sequer da frota, da qual os protetores dos Krasnov e dos Filimonov ainda esperam a destruição
Enfim, a região do Térek. Não é segredo para ninguém que no Térek há um Soviet Popular do Térek, que reúne em torno de si todos, ou quase todos (95 %) os auis e as stanitzas, as vilas e cidades menores, para não falar das grandes cidades. Desde o I Congresso Regional realizado em janeiro do corrente ano, todos os delegados, sem exceção, pronunciaram-se pelo Poder Soviético e pela indissolubilidade dos laços com a Rússia. O II Congresso, realizado em abril, mais amplo e mais numeroso que o primeiro, de novo confirmou solenemente os laços com a Rússia, declarando a região uma república soviética autônoma da Federação da Rússia. O III Congresso Regional que se realiza agora dá um passo adiante, passando das palavras aos fatos e convida os cidadãos a pegarem em armas para defenderem o Térek, e não só o Térek, das irrupções de hóspedes não convidados. A chamada nota do chamado governo do Don fala muitíssimo em "povos livres do sudeste" que aspirariam à separação da Rússia. Considerando que os fatos são a melhor refutação das "declarações", damos a palavra aos fatos.
Antes de mais nada, vejamos a resolução do Soviet Popular do Térek.
"O Soviet Popular do Térek tomou conhecimento, através de alguns telegramas, de que os delegados do Cáucaso Setentrional, atualmente em Constantinopla, proclamaram a independência do Cáucaso Setentrional e deram comunicação desse fato ao governo imperial turco e a outros Estados.
O Soviet Popular do Térek, composto dos grupos tchetcheno, kabardino, ossétio, ingucho, cossaco e alienígena atesta que os povos da região do Térek não deram nunca delegação a ninguém e em nenhum lugar com aquele objetivo e que se indivíduos isolados, residentes atualmente em Constantinopla, estão se fazendo passar por delegados dos povos da região do Térek e agem em seu nome, isto quer dizer apenas que se arrogam uma qualidade que não têm e que são aventureiros.
O Soviet Popular do Térek exprime seu espanto ante miopia política e a ingenuidade do governo turco que se deixou induzir em erro por semelhantes aventureiros.
O Soviet Popular do Térek, formado pelos citados grupos declara que os povos de sua região constituem uma parte inseparável da República Federativa da Rússia.
O Soviet Popular do Térek protesta contra a tentativa levada a efeito pelo governo transcaucásico de induzir o Cáucaso Setentrional a aderir ao ato que declara a independência da Transcaucásia" (vide Naródnaia Vlast, órgão do Soviet Popular do Térek).(Resolução aprovada por unanimidade a 9 de maio).
Demos agora a palavra aos tchetchenos e aos inguchos, denegridos pelos seus usurpadores e protetores. Eis a resolução do seu grupo, que representa todos ou quase todos os inguchos e tchetchenos.
"A reunião extraordinária do grupo tchetcheno-ingucho do Soviet Popular de Térek, tendo discutido o comunicado sobre a declaração de independência do Cáucaso Setentrional, aceitou por unanimidade a seguinte resolução: a declaração de independência do Cáucaso Setentrional é um ato de excepcional importância que não deve ser consumado sem o conhecimento e aprovação de toda a população interessada.
O grupo tcheteheno-ingucho constata que o povo tcheteheno-ingucho não enviou nenhum delegado para efetuar negociações de nenhuma espécie com a delegação otomana em Trebizonda ou com o governo otomano em Constantinopla, e que o problema da independência nunca foi discutido em nenhum órgão e em nenhuma assembléia que exprimisse a vontade do povo tcheteheno-ingucho.
Por isso, os indivíduos que ousam falar em nome de um povo, que não os elegeu, são considerados pelo grupo tcheteheno-ingucho como gente que não representa nada e como inimigos do povo.
O grupo tcheteheno-ingucho declara que o único caminho para salvar os povos da montanha do Cáucaso Setentrional e as liberdades conquistadas pela revolução, consiste na estreita união com a democracia revolucionária da Rússia.
Essa união é ditada não só pelo inato amor à liberdade, mas também pelas relações econômicas que no curso dos últimos decênios fundiram estreitamente o Cáucaso Setentrional e a Rússia Central num todo indivisível."(Aprovada a 9 de maio. Vide Naródnaia Vlast, órgão do Soviet Popular do Térek).
E eis um trecho do inflamado discurso do camarada Cheripov, orador dos inguchos e dos tchetchenos, na reunião do Soviet Popular do Térek, trecho bastante preciso e capaz de fazer cessar qualquer censura dirigida aos daguestanos:
"Graças à grande revolução russa, recebemos a belíssima liberdade pela qual os nossos antepassados bateram-se durante «éculos e, vencidos, foram passados a fio de espada. Agora, que nos foi garantido o direito à autodeterminação, o povo não cederá jamais a ninguém esse direito. Da independência do Cáucaso Setentrional falam hoje os latifundiários, os príncipes, os provocadores, os espiões e todos aqueles contra os quais Chami travou uma luta de morte durante cinqüenta anos. Existem tentativas isoladas da parte desses inimigos do povo no sentido de proclamar a independência do Cáucaso e de formar o imanado. Mas eu afirmo que aos antepassados desses príncipes Chamil cortou a cabeça e que hoje ele faria o mesmo. O nosso grupo, que representa o povo ingucho e tchetcheno, expressou, com a conhecida resolução da reunião extraordinária, o seu ponto de vista sobre o problema da declaração da independência do Cáucaso Setentrional." (Vide o citado número de Naródnaia
Estes são os fatos.
Serão todos eles conhecidos pelos fautores teuto-ucraniano-turcos da autodeterminação? Naturalmente que são. Os soviets regionais da Rússia Meridional agem de fato abertamente, aos olhos de todos, e os agentes desses senhores lêem os nossos jornais com suficiente atenção para não deixarem escapar fatos conhecidos de todos
A que se reduz nesse caso a declaração acima citada da delegação ucraniana sobre os fabulosos "governos", declaração apoiada através de palavras e fatos pelos alemães e turcos?
Somente a uma coisa: servir-se dos falsos " governos», como de anteparos para conquistar e subjugar novos territórios. Sob a cobertura da Rada Ucraniana, os alemães avançaram "na base do tratado de Brest-Litovsk" (compreende-se!) e ocuparam a Ucrânia. Mas agora, evidentemente, a Ucrânia esgotou suas possibilidades de servir de anteparo, de cobertura, enquanto os alemães têm necessidade de continuar avançando. Daí a procura de uma nova cobertura, de um novo anteparo. E uma vez que a procura gera a oferta, os Krasnov, os Bogaiev, os Tchermoiev e os Bammátov não tardaram a se apresentar, oferecendo os seus serviços. E não é de excluir a hipótese de que num futuro próximo os Krasnov e os Bogaiev, manobrados e abastecidos pelos alemães, marchem em direção à Rússia para "libertar" o Don enquanto os alemães terão o cuidado de jurar pela enésima vez fidelidade ao acordo de Brest-Litovsk. A mesma coisa deve-se dizer quanto ao Kuban, ao Térek, etc.
Aqui está o nó da questão!
O Poder Soviético cavaria a própria sepultura se não mobilizasse todas as forças, sem exceção, para resistir aos saqueadores e opressores.
E assim o fará.
O Comissário PovoJ Stálin,
A delegação ucraniana à primeira reunião da conferência da paz, em Kíev, declarou estar de posse de declarações dos "governos" do Don, do Cáucaso Setentrional e de outras regiões que proclamaram terem-se separado da Rússia e haverem estabelecido relações de amizade com o governo ucraniano-alemão.
"Não somos contrários a tratar com os representantes do Poder Soviético — "disse o presidente da delegação ucraniana, Chelúkhin — mas desejaríamos saber sobre que regiões propriamente se estende o poder da Federação da Rússia, porque estou de posse de declarações de muitos governos (do Don, do Cáucaso Setentrional, etc.) que não desejam permanecer nos limites da Rússia."
Os turcos e os alemães não só não têm nada a objetar contra essa afirmativa dos ucranianos, mas, antes, numa série de documentos oficiais confirmam as pretensões dos "governos" semi-legais mencionados acima, apegando-se a elas como a um meio formal que permita a "autodeterminação" (isto é, a ocupação) de novos territórios. . .
Mas, o que são esses misteriosos "governos" e de onde vieram?
Antes de tudo é estranho que como protetor desses "governos" e como organizador oficial de toda essa campanha se apresente o governo ucraniano dos hétmãs, que só veio à luz por graça. . . não do povo, em todo o caso. Com que direito, propriamente, a delegação ucraniana ousa falar dessa maneira ao Poder Soviético que foi livremente eleito por dezenas de milhões de habitantes da Federação Russa e reuniu em torno de si, entre outros, os importantes soviets regionais do Don, do Kuban, do Mar Negro, do Térek, eleitos por milhões de habitantes dessas regiões?
Que peso pode ter então o atual governo ucraniano, que não só não foi eleito pelo povo, mas não tem atrás de si nem mesmo uma Dieta eleita em base censitária, ao menos do tipo de um Landtag representante das camadas ricas? Além do mais, pode-se considerar como provado que, se a conferência da paz se tivesse reunido não em Kíev, mas em qualquer outro lugar do território neutro, a Rada Ucraniana, há pouco derrubada, não teria deixado de se fazer presente para declarar que um tratado com o governo dos hétmãs não pode obrigar o povo ucraniano, que não reconhece esse governo? Teriam então surgido dois problemas:
1.°) — que mandato se poderia reconhecer como o mais efetivo, o do governo dos hétmãs ou o da Rada Ucraniana?;
2.°) — que poderia então declarar para justificar-se a atual delegação ucraniana, que aprecia grandemente qualquer "declaração"?
Em segundo lugar, não é menos estranho o fato de a Alemanha, que apoiou a declaração da delegação ucraniana e que, no interesse da "autodeterminação", namora cada vez mais os "governos" dos aventureiros do Don e do Cáucaso Setentrional, não dedicar uma palavra sequer à autodeterminação da Posnânia polonesa, do Schleswig-Holstein dinamarquês e da Alsácia-Lorena francesa. Será ainda necessário, talvez, demonstrar que, em confronto com os protestos em massa dos dinamarqueses, dos poloneses e dos franceses daquelas províncias, as declarações dos "governos" de aventureiros da Rússia Meridional, constituídos a toda pressa e não reconhecidos por ninguém, perdem todo peso, toda importância, todo decoro?
Mas toda essas coisas não vêm a ser senão "minúcias". Passemos ao argumento principal.
Como surgiram, então, os fabulosos "governos" da Rússia Meridional?
"A 21 de outubro de 1917 — diz o "governo" do Dou em sua "nota" — na cidade de Vladikavkaz firmou-se um acordo sobre a formação de um novo Estado federativo, a União-Sul-Oriental, na qual entraram as populações dos territórios das tropas cossacas do Don, do Kuban e de Astracã e povos da montanha do Cáucaso Setentrional e das margens do Mar Negro e os povos livres da Rússia Sul-Oriental."
Quase as mesmas coisas diz o radiograma dos representantes do "governo" do Cáucaso Setentrional, Tchermoiev e Bammátov, chegado às nossas mãos em 16 de maio:
"Os povos do Cáucaso elegeram regularmente uma Assembléia Nacional que, reunida em maio e setembro de 1917, declarou constituída a União dos Povos da Montanha do Cáucaso"; além disso, "a União' dos Povos da Montanha do Cáucaso decide separar-se da Rússia e formar um Estado independente. O território desse Estado terá como fronteiras: ao norte, os limites geográficos que tinham as regiões e províncias do Daguestão, do Térek, de Stávropol, do Kuban e do Mar Negro no ex-império russo, a oeste o Mar Negro e a leste o Mar Cáspio."
Então, nas vésperas da vitória da Revolução de Outubro, que derrubou o governo de Kerenski, grupelhos de aventureiros ligados a esse governo reuniram-se, pelo que se vê, em Vladikavkaz, proclamaram-se governos "com plenos poderes" e declararam que o sul da Rússia se separava desta última sem se dar ao trabalho de pedir o consentimento da população. Naturalmente, num país livre como a Rússia, a ninguém é proibido entregar-se a sonhos separatistas, mas é fácil compreender que o Poder Soviético não podia nem devia recuar ante as declarações aventureiras dos sonhadores com os quais os povos do sul da Rússia não têm absolutamente nada de comum. Não duvidamos de que se a Alemanha desse aos cidadãos uma liberdade semelhante a essa de que agora se goza na Rússia, a Posnânia, a Alsácia-Lorena, a Polônia, a Curlândia, a Estônia, etc., seriam cobertas por uma rede de governos nacionais, os quais teriam muito mais motivos de se chamarem governo do que os Bogaievski, os Krasnov, os Bammátov e os Tchermoiev, que foram repelidos por seus povos e agora vivem na emigração. . .
Assim surgiram os fabulosos "governos" do sul da Rússia.
A "nota" do "governo" do Don e o radiograma de Tchermoiev falam do passado, de setembro e de outubro de 1917 e de Vladikavkaz, refúgio dos generais reformados. Daquela época até hoje, entretanto, transcorreu cerca de um ano. Durante esse período, formaram-se os soviets populares regionais do Don, do Kuban-Mar Negro e do Térek, que agrupam em torno de si milhões de habitantes, cossacos e alienígenas, abkházios e russos, tchetchenos e inguchos, ossétios e kabardinos, georgianos e armênios. As populações dessas regiões de há muito já reconheceram o Poder Soviético e gozam amplamente do direito de autodeterminação que lhes foi concedido. E Vladikavkaz, antiga residência dos Karaúlov e dos Bogaievski, dos Tchermoiev e dos Bammátov, de há muito se proclamou sede do Soviet Popular do Térek. Que importância, pergunta-se, podem ter os generais fossilizados e suas declarações próprias de aventureiros, feitas no verão de 1917, em face desses fatos conhecidos de todos! Em setembro e outubro ainda havia na Rússia o governo de Kerenski, que lançava raios e coriscos contra o Partido Bolchevique, o qual então tinha sido posto fora da lei e hoje se encontra no Poder. Se a delegação ucraniana e o governo alemão dão aos meses de setembro e outubro de 1917 um tal valor sacramental, por que então não convidam à conferência de paz os restos do governo de Kerenski, que naquela época ainda gozava de boa saúde, assim como fazem com os restos do "governo" dos Tchermoiev e dos Karaúlov que em setembro e outubro de 1917 também gozavam de boa saúde?
Ou ainda: por que justamente setembro de 1917 é preferível a abril de 1918, mês em que a Rada Ucraniana, que tinha quase pronta uma delegação para as negociações com o Poder Soviético, num momento foi varrida da cena política "na base" da "interpretação" alemã do princípio de autodeterminação dos povos ?. . .
Ou finalmente: por que a declaração do general cossaco Krasnov, repudiado por seus homens, prisioneiro das tropas soviéticas perto de Gátchina em fins de 1917 e depois libertado pelo Poder Soviético sob palavra de honra, é considerada um "ato político de grande importância" e a declaração, por exemplo, do Conselho dos Comissários do Povo da Criméia, que reuniu em torno de si centenas de milhares de russos e de tártaros e que por três vezes reafirmou pelo rádio a indissolubilidade dos vínculos que unem a Criméia à Federação da Rússia é considerada sem importância política?
Por que o general Krasnov, repudiado pelos cossacos, desfruta da particular proteção dos governantes ucraniano-alemães, enquanto o Conselho dos Comissários do Povo da Criméia, livremente eleito pela população, foi massacrado, num ato de banditismo?
Evidentemente aqui não se trata da autenticidade das "declarações" nem das massas que sustentam essas "declarações", e ainda menos do conceito de "autodeterminação", barbaramente corrompido e deformado pelos saqueadores oficiais, mas simplesmente disto: tais "declarações" são muito convenientes para os ucraniano-alemães que se comprazem tecendo tramas imperialistas, porque essas "declarações" mascaram comodamente suas aspirações à conquista e subjugação de novos territórios. É característico que em meio a toda a série de delegações do pretenso governo do Don, tão "legal" quanto a delegação do general Krasnov, os ucraniano-alemães tenham voltado sua atenção para esta última, visto como as restantes delegações conservam "orientação" não alemã. O caráter fictício e artificioso do "governo" Krasnov-Bogaievski é além disso a tal ponto evidente, que uma série de ministros designados por Krasnov (Paramonev, ministro da instrução popular, e Semiónov, ministro da agricultura), oficialmente recusaram o encargo, fundamentando sua recusa no fato de que "suas nomeações para ministros foram feitas pelo general Krasnov na ausência dos mesmos." Mas os promotores ucraniano-alemães da autodeterminação realmente não se perturbam com isso, pois Krasnov é útil a esses senhores como anteparo.
Não menos característico é o fato de que a chamada União Sul-Oriental, que em janeiro ainda estava no reino dos mortos, tenha sido em maio subitamente ressuscitada em determinado ponto da Ucrânia ou mesmo em Constantinopla; além disso, nem todos os povos do Cáucaso Setentrional sabem que os "governos" por eles sepultados continuam a "existir" ilegalmente, não se sabe se em Constantinopla ou em Kíev, onde se aprestam para ditar-lhes leis. Evidentemente, nem sequer essa pouco hábil maquinação perturba os promotores ucraniano-alemães da autodeterminação, porque lhes dá a possibilidade de tirarem vantagens dela.
Tais são as ações dos aventureiros da Rússia Meridional sedentos do poder, de uma parte, e dos idealizadores das maquinações políticas, de outra parte.
Qual é então a atitude desses povos da Rússia Meridional sob cujo nome se mascaram os senhores promotores da autodeterminação, quanto ao problema da independência ?
Comecemos pelo Don. Desde fevereiro existe a República Soviética Autônoma do Don, que reúne em torno de si a enorme maioria da população da região. Não é segredo para ninguém que no congresso regional realizado em abril, ao qual compareceram mais de 700 delegados, foi confirmada por aclamação a indissolubilidade dos laços com a Rússia, da qual a República do Don constitui uma parte autônoma.
Eis o que diz, em sua resolução de 28 de maio, o Comitê Executivo da República do Don acerca das pretensões do "governo" Krasnov-Bogaievski, agora mesmo tirado do forno:
"O Comitê Executivo Central da República Soviética do Don leva ao conhecimento do Conselho dos Comissários do Povo e da Conferência de Paz em Kíev que no Don não existe outro poder senão o Comitê Executivo Central e o seu Presidium. Os membros de qualquer outro governo que se tenha declarado ou se declare tal são réus de alta traição e se verão entregues aos tribunais populares com tal imputação. Efetivamente, foi-nos comunicado que na Conferência de Paz interveio uma delegação do governo do Don. Nós, como representantes do Poder estatal, declaramos ao Conselho dos Comissários do Povo e à Conferência de Paz de Kíev que, sem as credenciais do Poder Soviético da República do Don, nenhum delegado deve ser admitido levar a efeito negociações de paz e se existem delegados desse gênero, afirmamos que não são legais, que se arrogam uma qualidade que não possuem e que os entregaremos aos tribunais como réus de alta traição. O Comitê Executivo Central pede à Conferência de Paz afastar a delegação do pretenso "governo do Don", porque ela é ilegal e não pode ser admitida a levar a efeito negociações de paz.O presidente do Comitê Executivo CentralV. KovaliovO Secretário: V. Pujilev(Aprovada a 28 de maio) Tzarítzin."
Passemos ao Kuban. Todos conhecem a República Soviética Autônoma do Kuban e do Mar Negro, que reuniu em torno de si 90 % da população de todas as partes e de todos os distritos da região, sem exceção.
Todos se lembram do Congresso da Região do Kuban e do Mar Negro, no qual tomaram parte muitos tchetchenos e inguchos e que se instalou em abril deste ano sob a presidência do cossaco I. Poluián, Congresso que reafirmou solenemente a indissolubilidade dos laços que unem aquela região à Rússia e que também solenemente declarou fora da lei os vários aventureiros como Filimonov e Krasnov. De resto, as dezenas de milhares de habitantes do Kuban que empunham armas e defendem com os seus peitos a Rússia Soviética de Sukhum a Bataísk, exprimem, de maneira bastante eloqüente, os sentimentos e as simpatias do Kuban e do Mar Negro. Não falemos sequer da frota, da qual os protetores dos Krasnov e dos Filimonov ainda esperam a destruição
Enfim, a região do Térek. Não é segredo para ninguém que no Térek há um Soviet Popular do Térek, que reúne em torno de si todos, ou quase todos (95 %) os auis e as stanitzas, as vilas e cidades menores, para não falar das grandes cidades. Desde o I Congresso Regional realizado em janeiro do corrente ano, todos os delegados, sem exceção, pronunciaram-se pelo Poder Soviético e pela indissolubilidade dos laços com a Rússia. O II Congresso, realizado em abril, mais amplo e mais numeroso que o primeiro, de novo confirmou solenemente os laços com a Rússia, declarando a região uma república soviética autônoma da Federação da Rússia. O III Congresso Regional que se realiza agora dá um passo adiante, passando das palavras aos fatos e convida os cidadãos a pegarem em armas para defenderem o Térek, e não só o Térek, das irrupções de hóspedes não convidados. A chamada nota do chamado governo do Don fala muitíssimo em "povos livres do sudeste" que aspirariam à separação da Rússia. Considerando que os fatos são a melhor refutação das "declarações", damos a palavra aos fatos.
Antes de mais nada, vejamos a resolução do Soviet Popular do Térek.
"O Soviet Popular do Térek tomou conhecimento, através de alguns telegramas, de que os delegados do Cáucaso Setentrional, atualmente em Constantinopla, proclamaram a independência do Cáucaso Setentrional e deram comunicação desse fato ao governo imperial turco e a outros Estados.
O Soviet Popular do Térek, composto dos grupos tchetcheno, kabardino, ossétio, ingucho, cossaco e alienígena atesta que os povos da região do Térek não deram nunca delegação a ninguém e em nenhum lugar com aquele objetivo e que se indivíduos isolados, residentes atualmente em Constantinopla, estão se fazendo passar por delegados dos povos da região do Térek e agem em seu nome, isto quer dizer apenas que se arrogam uma qualidade que não têm e que são aventureiros.
O Soviet Popular do Térek exprime seu espanto ante miopia política e a ingenuidade do governo turco que se deixou induzir em erro por semelhantes aventureiros.
O Soviet Popular do Térek, formado pelos citados grupos declara que os povos de sua região constituem uma parte inseparável da República Federativa da Rússia.
O Soviet Popular do Térek protesta contra a tentativa levada a efeito pelo governo transcaucásico de induzir o Cáucaso Setentrional a aderir ao ato que declara a independência da Transcaucásia" (vide Naródnaia Vlast, órgão do Soviet Popular do Térek).(Resolução aprovada por unanimidade a 9 de maio).
Demos agora a palavra aos tchetchenos e aos inguchos, denegridos pelos seus usurpadores e protetores. Eis a resolução do seu grupo, que representa todos ou quase todos os inguchos e tchetchenos.
"A reunião extraordinária do grupo tchetcheno-ingucho do Soviet Popular de Térek, tendo discutido o comunicado sobre a declaração de independência do Cáucaso Setentrional, aceitou por unanimidade a seguinte resolução: a declaração de independência do Cáucaso Setentrional é um ato de excepcional importância que não deve ser consumado sem o conhecimento e aprovação de toda a população interessada.
O grupo tcheteheno-ingucho constata que o povo tcheteheno-ingucho não enviou nenhum delegado para efetuar negociações de nenhuma espécie com a delegação otomana em Trebizonda ou com o governo otomano em Constantinopla, e que o problema da independência nunca foi discutido em nenhum órgão e em nenhuma assembléia que exprimisse a vontade do povo tcheteheno-ingucho.
Por isso, os indivíduos que ousam falar em nome de um povo, que não os elegeu, são considerados pelo grupo tcheteheno-ingucho como gente que não representa nada e como inimigos do povo.
O grupo tcheteheno-ingucho declara que o único caminho para salvar os povos da montanha do Cáucaso Setentrional e as liberdades conquistadas pela revolução, consiste na estreita união com a democracia revolucionária da Rússia.
Essa união é ditada não só pelo inato amor à liberdade, mas também pelas relações econômicas que no curso dos últimos decênios fundiram estreitamente o Cáucaso Setentrional e a Rússia Central num todo indivisível."(Aprovada a 9 de maio. Vide Naródnaia Vlast, órgão do Soviet Popular do Térek).
E eis um trecho do inflamado discurso do camarada Cheripov, orador dos inguchos e dos tchetchenos, na reunião do Soviet Popular do Térek, trecho bastante preciso e capaz de fazer cessar qualquer censura dirigida aos daguestanos:
"Graças à grande revolução russa, recebemos a belíssima liberdade pela qual os nossos antepassados bateram-se durante «éculos e, vencidos, foram passados a fio de espada. Agora, que nos foi garantido o direito à autodeterminação, o povo não cederá jamais a ninguém esse direito. Da independência do Cáucaso Setentrional falam hoje os latifundiários, os príncipes, os provocadores, os espiões e todos aqueles contra os quais Chami travou uma luta de morte durante cinqüenta anos. Existem tentativas isoladas da parte desses inimigos do povo no sentido de proclamar a independência do Cáucaso e de formar o imanado. Mas eu afirmo que aos antepassados desses príncipes Chamil cortou a cabeça e que hoje ele faria o mesmo. O nosso grupo, que representa o povo ingucho e tchetcheno, expressou, com a conhecida resolução da reunião extraordinária, o seu ponto de vista sobre o problema da declaração da independência do Cáucaso Setentrional." (Vide o citado número de Naródnaia
Estes são os fatos.
Serão todos eles conhecidos pelos fautores teuto-ucraniano-turcos da autodeterminação? Naturalmente que são. Os soviets regionais da Rússia Meridional agem de fato abertamente, aos olhos de todos, e os agentes desses senhores lêem os nossos jornais com suficiente atenção para não deixarem escapar fatos conhecidos de todos
A que se reduz nesse caso a declaração acima citada da delegação ucraniana sobre os fabulosos "governos", declaração apoiada através de palavras e fatos pelos alemães e turcos?
Somente a uma coisa: servir-se dos falsos " governos», como de anteparos para conquistar e subjugar novos territórios. Sob a cobertura da Rada Ucraniana, os alemães avançaram "na base do tratado de Brest-Litovsk" (compreende-se!) e ocuparam a Ucrânia. Mas agora, evidentemente, a Ucrânia esgotou suas possibilidades de servir de anteparo, de cobertura, enquanto os alemães têm necessidade de continuar avançando. Daí a procura de uma nova cobertura, de um novo anteparo. E uma vez que a procura gera a oferta, os Krasnov, os Bogaiev, os Tchermoiev e os Bammátov não tardaram a se apresentar, oferecendo os seus serviços. E não é de excluir a hipótese de que num futuro próximo os Krasnov e os Bogaiev, manobrados e abastecidos pelos alemães, marchem em direção à Rússia para "libertar" o Don enquanto os alemães terão o cuidado de jurar pela enésima vez fidelidade ao acordo de Brest-Litovsk. A mesma coisa deve-se dizer quanto ao Kuban, ao Térek, etc.
Aqui está o nó da questão!
O Poder Soviético cavaria a própria sepultura se não mobilizasse todas as forças, sem exceção, para resistir aos saqueadores e opressores.
E assim o fará.
O Comissário PovoJ Stálin,
Notas de fim de tomo: A Conferência da Paz entre os representantes da República Soviética Russa e os do hetmanado ucraniano iniciou seus trabalhos a 23 de maio de 1918, em Kíev. Landtag: assembléias representativas dos países isolados que compunham a Áustria e a Alemanha. Aúl: aldeia montanhesa do Cáucaso e da Criméia. Stanitza: aldeia cossaca. Chamil (1798-1871), ousado e genial chefe dos cireassianos, organizou as guerrilhas das tribos montanhesas contra as tropas tzaristas que por volta de 1830 atacaram o Daguestão. Resistiu até 1857, ano em que foi capturado pelo príncipe Bariatinski, comandante-chefe das tropas tzaristas. A guerra prolongou-se todavia até 1865 e terminou pela conquista, por parte dos russos, de toda a zona ocidental do Cáucaso.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
A Situação no Cáucaso (II)
J. V. Stálin
28 de Maio de 1918
28 de Maio de 1918
Do Comissário do Povo para '"os Negócios das Nacionalidades.
Nos jornais de domingo apareceu uma notícia da tomada de Baku e da península de Apcheron pelos ingleses. Diz a notícia:
"Segundo informam os jornais de Odessa, pessoas vindas de Baku afirmam que há três semanas tropas inglesas motorizadas penetrando no Cáucaso pela Mesopotâmia, através da Pérsia, entraram na cidade. O destacamento é numeroso e, ao que parece, não se trata senão de uma vanguarda. Circulam rumores de que os ingleses estabeleceram junções com os destacamentos de Kornílov. Outro jornal comunica que os ingleses ocuparam a península de Apcheron e Baku e que dali se dirigem a Tiflís, Alexándropol, Sarikamich, Kars e Erzerum. 24 de maio."
O Comissariado do Povo para os Negócios das Nacionalidades deve declarar que essas notícias provocadoras, provenientes de fontes bastante suspeitas, não encontram nenhum apoio na realidade. Nenhum destacamento inglês apareceu em Baku, nem podia aparecer, pelo simples fato de que a província de Baku e toda a parte oriental da Transcaucásia estão defendidas por exércitos soviéticos, prontos, ao primeiro apelo, a combater a força externa, sob qualquer forma que se apresente. Segundo um comunicado do comissário extraordinário Chaumián, de 25 de maio:
"Baku e a província não estão ameaçadas por nenhum perigo, além do que representam os latifundiários tártaros, que organizaram há alguns dias uma incursão em Adjikabul e foram repelidos muito para o ocidente pelos destacamentos soviéticos."
No que se refere à situação na Transcaucásia Meridional, lá efetivamente há um perigo, que não vem entretanto dos ingleses, mas dos turcos, os quais, dirigindo-se a Tabriz "para oporem-se aos ingleses na Pérsia Setentrional", estão penetrando ao longo da linha Alexándropol-Djulfa.
Eis o que sobre o assunto comunica Kartchikian, membro da Dieta transcaucásica, a 20 de maio:
"A 13 de maio a Turquia apresentou a Batum o pedido de deixar passar tropas turcas enviadas para a Pérsia, pela linha férrea Alexándropol-Djulfa, justificando esse pedido com o fato de que os ingleses exercem pressão pelo lado de Mossuf e que é necessário aos turcos ocupar o mais depressa possível a Pérsia Setentrional. A Turquia apóia seu pedido com o uso da força. Na manhã do dia 15 começaram a bombardear Alexándropol. Nossas tropas, colhidas de surpresa, não puderam resistir ao ataque e a 16 entregaram Alexándropol. No dia 17 os turcos pediram que fosse garantido aos seus exércitos livre acesso a Djulfa, prometendo não causar danos à população. Em caso de recusa, ameaçaram abrir passagem à força. Tendo em conta o fato de que a retirada de Alexándropol havia desorganizado completamente as tropas e que em caso de resistência toda a população dos distritos de Surmalin e Etchmiadzin enfrentaria dolorosas conseqüências, fomos obrigados a satisfazer ao pedido dos turcos. Toda a população do distrito de Alexándropol evacuou o país e se concentrou no distrito de Bambak-Lori. A população do distrito de Surmalin fez o mesmo. Hoje recebi a notícia de que a população do distrito de Akhalkalak partiu e se dirige para Tsalki. A delegação em Batum formulou um protesto contra o ultimatum, mas não fez do mesmo um casus belli e decidiu continuar as negociações."
Dando notícia de tudo isso, o Comissariado do Povo para os Negócios das Nacionalidades não pode deixar de constatar que as notícias falsas de Odessa têm evidentemente o objetivo de mascarar a invasão turca que infringe todos os direitos e persegue o objetivo de conquistar a linha ferroviária persa.
Nos jornais de domingo apareceu uma notícia da tomada de Baku e da península de Apcheron pelos ingleses. Diz a notícia:
"Segundo informam os jornais de Odessa, pessoas vindas de Baku afirmam que há três semanas tropas inglesas motorizadas penetrando no Cáucaso pela Mesopotâmia, através da Pérsia, entraram na cidade. O destacamento é numeroso e, ao que parece, não se trata senão de uma vanguarda. Circulam rumores de que os ingleses estabeleceram junções com os destacamentos de Kornílov. Outro jornal comunica que os ingleses ocuparam a península de Apcheron e Baku e que dali se dirigem a Tiflís, Alexándropol, Sarikamich, Kars e Erzerum. 24 de maio."
O Comissariado do Povo para os Negócios das Nacionalidades deve declarar que essas notícias provocadoras, provenientes de fontes bastante suspeitas, não encontram nenhum apoio na realidade. Nenhum destacamento inglês apareceu em Baku, nem podia aparecer, pelo simples fato de que a província de Baku e toda a parte oriental da Transcaucásia estão defendidas por exércitos soviéticos, prontos, ao primeiro apelo, a combater a força externa, sob qualquer forma que se apresente. Segundo um comunicado do comissário extraordinário Chaumián, de 25 de maio:
"Baku e a província não estão ameaçadas por nenhum perigo, além do que representam os latifundiários tártaros, que organizaram há alguns dias uma incursão em Adjikabul e foram repelidos muito para o ocidente pelos destacamentos soviéticos."
No que se refere à situação na Transcaucásia Meridional, lá efetivamente há um perigo, que não vem entretanto dos ingleses, mas dos turcos, os quais, dirigindo-se a Tabriz "para oporem-se aos ingleses na Pérsia Setentrional", estão penetrando ao longo da linha Alexándropol-Djulfa.
Eis o que sobre o assunto comunica Kartchikian, membro da Dieta transcaucásica, a 20 de maio:
"A 13 de maio a Turquia apresentou a Batum o pedido de deixar passar tropas turcas enviadas para a Pérsia, pela linha férrea Alexándropol-Djulfa, justificando esse pedido com o fato de que os ingleses exercem pressão pelo lado de Mossuf e que é necessário aos turcos ocupar o mais depressa possível a Pérsia Setentrional. A Turquia apóia seu pedido com o uso da força. Na manhã do dia 15 começaram a bombardear Alexándropol. Nossas tropas, colhidas de surpresa, não puderam resistir ao ataque e a 16 entregaram Alexándropol. No dia 17 os turcos pediram que fosse garantido aos seus exércitos livre acesso a Djulfa, prometendo não causar danos à população. Em caso de recusa, ameaçaram abrir passagem à força. Tendo em conta o fato de que a retirada de Alexándropol havia desorganizado completamente as tropas e que em caso de resistência toda a população dos distritos de Surmalin e Etchmiadzin enfrentaria dolorosas conseqüências, fomos obrigados a satisfazer ao pedido dos turcos. Toda a população do distrito de Alexándropol evacuou o país e se concentrou no distrito de Bambak-Lori. A população do distrito de Surmalin fez o mesmo. Hoje recebi a notícia de que a população do distrito de Akhalkalak partiu e se dirige para Tsalki. A delegação em Batum formulou um protesto contra o ultimatum, mas não fez do mesmo um casus belli e decidiu continuar as negociações."
Dando notícia de tudo isso, o Comissariado do Povo para os Negócios das Nacionalidades não pode deixar de constatar que as notícias falsas de Odessa têm evidentemente o objetivo de mascarar a invasão turca que infringe todos os direitos e persegue o objetivo de conquistar a linha ferroviária persa.
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